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16 de Maio, 2018 - 08:40
CRM de MT investiga hospitais e médicos que atenderam cuiabana

Mulher morreu após passar por procedimento estético no Hospital Militar de Cuiabá. O Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT) abriu sindicância para investigar os dois hospitais que prestaram atendimento à cuiabana Edléia Daniele Ferreira Lira, que morreu no último final de semana após passar por uma cirurgia plástica, em Cuiabá.


Em entrevista ao MidiaNews, a presidente do CRM, Maria de Fátima Carvalho Ferreira, contou já encaminhou um ofício nesta terça-feira (15) ao hospitais Militar e Sotrauma.


De acordo com ela, as duas unidades de saúde terão um prazo de sete dias para encaminhar à autarquia os prontuários da jovem, com dados de todos os procedimentos, inclusive dos médicos que atuaram no atendimento da paciente.


“Com os prontuários em mãos, nós vamos saber qual equipe atuou no atendimento da paciente e assim averiguar se houve alguma infração ética”, disse a presidente.


Maria de Fátima informou que ainda não sabe se o médico cirurgião que operou Edléia tem autorização para exercer Medicina em Mato Grosso.


Caso ele não tenha, o profissional responderá por um processo que pode resultar em penas que vão de uma advertência privada (sem divulgação) à cassação do registro de atuação em definitivo. “Para poder atuar aqui [no Estado] o profissional precisa estar inscrito no Conselho Regional de Mato Grosso ou ter uma autorização de visto provisório, que tem validade de até 90 dias, para casos de médicos que vêm apenas para alguma situação específica ou aqueles que não sabem se irão se instalar aqui”, explicou.


daniele


O caso


Daniele Bueno, como era conhecida, deu entrada na unidade de saúde na última quinta-feira (10) para fazer uma lipoescultura e redução nos seios.


No entanto, depois do procedimento, ela teve uma parada cardíaca e precisou ser transferida para o Hospital Sotrauma, onde não resistiu e morreu no domingo (13) – Dia das Mães – com um quadro de paralisia cerebral e falência múltipla de órgãos.


De acordo com Simone Bueno Pall, que era casada com a cuiabana, a cirurgia foi realizada por meio do projeto “Plástica para Todos”, que conheceram por meio de conversa no WhatsApp.


Segundo ela, foi cobrado de Daniele o valor de R$ 50 para entrar em um grupo fechado no Facebook e mais R$ 50 pela consulta.


Dia da cirurgia


A esposa de Daniele contou que ela já havia dado sinais de que não estava bem, logo quando saiu da sala de cirurgia, por volta das 14h30 do dia 10.


“A comunicante conversou com Edleia após a cirurgia e a mesma disse que dormiria um pouco e após descansar da cirurgia conversaria com a comunicante. Que um enfermeiro entrou no quarto para observar como estava a Edléia e a comunicante também ficou observando o atendimento e viu que os dedos da Edléia brancos e disse que estava acontecendo algo errado”, diz trecho do BO.


Segundo ela, o enfermeiro pediu ajuda dela, para que a colocassem de lado para observar se havia sangue no dreno que estava nas costas dela, e tentou tranquiliza-la dizendo que poderia ser efeito da anestesia. Em seguida, ele chamou outro enfermeiro, que constatou que ela estava sem pulso.


“(...) Logo começaram a correr e agilizar equipamentos de desfibrilador, adrenalina, e uma bomba manual de oxigênio para tentarem recuperar o pulso de Edleia”, diz o BO.


Simone contou que não havia nenhum médico no hospital quando a companheira passou mal.


Segundo ela, somente após passar uma hora que um médico chegou ao local e informou que ela necessitava ser transferida, mas que precisaria deixar um cheque-caução de R$ 17,5 mil.


Após o acordado, Daniele foi transferida para o Hospital Sotrauma, onde ficou internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) por três dias, até a data de sua morte.


“Plástica para Todos”


No site do programa “Plástica para Todos” são oferecidas cirurgias a baixo custo e em condições facilitadas de pagamento.


A também informa que o projeto é composto por 22 cirurgiões "altamente qualificados" e membros da SBCP (Sociedade brasileira de Cirurgia Plástica).


A reportagem procurou a assessoria de imprensa da SBCP, que informou, por meio de nota, que irá esperar a conclusão do inquérito investigativo para se manifestar a respeito do episódio.


"Tem-se por óbvio que qualquer pré-julgamento acerca de fatos não comprovados, se trata de mera especulação e exploração sensacionalista de um momento delicado como tal", diz trecho da nota.


Já a delegada Juliana Chiquito Palhares, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) relatou que aguarda o laudo da perícia para então analisar se cabe a instauração de inquérito investigativo.

Fonte: Midia News
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