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30 de Outubro, 2018 - 08:37
Ribeirão Preto (SP) - Um dia após cirurgia de separação total, siamesas que e eram unidas pela cabeça já respiram sem aparelhos

Maria Ysabelle e Maria Ysadora, de 2 anos, seguem no CTI do Hospital das Clínicas da USP e tem recuperação 'surpreendente', segundo pediatra. Última das cinco operações durou 20 horas. As irmãs siamesas que nasceram unidas pela cabeça já respiram sem a ajuda de aparelhos na segunda-feira (29), um dia após a cirurgia de separação total no Hospital das Clínicas da USP em Ribeirão Preto (SP). A expectativa é que Maria Ysabelle e Maria Ysadora, de 2 anos, comecem a se alimentar normalmente em até dois dias.




As meninas estão com as cabeças enfaixadas, mas já ficam nos braços dos pais na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). A pediatra Maristella Francisco dos Reis explicou que as gêmeas ainda estão sonolentas, uma vez que ficaram anestesiadas por um longo período: a última cirurgia de separação durou 20 horas e terminou na madrugada de domingo (28).

“Mais uma vez, elas nos surpreenderam. Depois de uma cirurgia muito longa, tensa pela complexidade, elas nos surpreenderam. Eu já me emocionei ao encontrar a Ysabelle no colo da mãe. Em seguida, a Débora pôde pegar a outra também”, disse a pediatra. “A maior expectativa é que elas se vejam frente a frente”, completou.


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Última cirurgia



O neurocirurgião pediátrico Ricardo Santos de Oliveira explicou que a quinta e última cirurgia realizada para separar as siamesas foi a mais complexa porque envolveu a separação da parte dos cérebros que estava unida, além da reconstrução da calota craniana e da pele, com tecidos retirados das próprias meninas.

“Havia a necessidade de se reconstruir a membrana e, em seguida, reconstruir toda a parte óssea. Então, foi feito um trabalho minucioso. Enquanto operávamos as crianças, a equipe da cirurgia plástica preparava os fragmentos ósseos que foram usados, que são das mesmas crianças. Não utilizamos nenhum adicional”, disse.

Oliveira contou que a equipe se emocionou ao separar fisicamente as gêmeas – o que ocorreu exatamente às 21h09 de sábado (27). A logística exigiu que o médico segurasse uma delas nos braços, enquanto o neurocirurgião Marcelo Volpon Santos segurava a outra, para que as macas fossem divididas e a equipe iniciasse a reconstrução óssea.

“Foi muito emocionante. Estávamos operando em sentido vertical e, em seguida, teríamos que abrir uma mesa para um lado e outra para outro lado. Somos treinados para isso, fazemos cirurgias complexas, cirurgias grandes, cirurgias demoradas o tempo todo, mas essa realmente foi bastante particular”, relembrou.



 









Reabilitação



De acordo com o neurocirurgião Marcelo Volpon Santos, as siamesas devem permanecer no Hospital das Clínicas por mais algumas semanas e iniciar o processo de reabilitação na mesma unidade, para só depois retornar para casa. A família, que é de Patacas, distrito de Aquiraz (CE), está morando temporariamente no campus da USP.

“A gente precisa ver se elas vão ter algum tipo de déficit. Por enquanto, elas estão bem, mexem os braços, as pernas, estão respondendo. A gente precisa saber qual vai ser o resultado final do ponto de vista neurológico. Como vai ser o desenvolvimento de fala, de atenção, a parte intelectual. Tudo isso vai ter que ser visto e estimulado”, explicou.

Santos afirmou ainda que o processo de reabilitação é prolongado, mas nada impede que seja continuado em Fortaleza (CE), afinal, desde que nasceram, as siamesas já eram acompanhadas no estado natal pelo neurocirurgião Eduardo Jucá. O retorno da família para casa dependerá da evolução do quadro clínico das meninas.

“Isso ainda vai ser mais bem definido porque depende de como será a evolução no pós-operatório. A partir do momento em que a cicatrização estiver mais completa, elas tiverem estáveis, com a parte circulatória boa, a gente estiver tranquilo quanto à parte cerebral, a gente pode começar a fazer a reabilitação”, disse.









Nova cirurgia



Antes de iniciar a etapa de reabilitação, Ysabelle deve ser submetida a mais uma cirurgia para cobrir uma parte da nuca que ficou sem pele. O cirurgião plástico Jayme Farina Junior explicou que a abertura está coberta provisoriamente por uma membrana composta por colágeno e o “curativo” não atrapalha a recuperação.



“Precisará de um enxerto de pele que será feito em duas, três semanas. O retalho cobre o topo da cabeça e fica faltando uma área na nuca que vai receber um enxerto de pele. É um pouco diferente, é uma pele bem fininha, que vamos retirar da coxa dela”, afirmou.

Farina Junior disse que Maria Ysabelle e Maria Ysadora também poderão realizar cirurgias estéticas no futuro, para cobrir com cabelo algumas áreas das cabeças que receberam apenas pele. Nesse caso, o próprio couro cabeludo pode ser expandido – como já foi feito pela equipe – para cobrir as partes sem cabelo.

“Existem alguns retoques nos retalhos que precisarão ser feitos. Então, mais para frente, serão realizados também. Isso não tem um prazo certo ainda. Com o decorrer do tempo, se houver a necessidade de alguma melhora estética, poderá ser feita. Vai diminuindo a área sem cabelo e melhorando esteticamente”, completou.



 






Cinco fases



Comandado pelo professor chefe do Departamento de Neurocirurgia Pediátrica, Hélio Machado, o procedimento foi dividido em cinco etapas para que pudesse ser concretizado. A primeira operação ocorreu em 17 de fevereiro e durou cerca de sete horas. A segunda cirurgia, em 19 de maio, teve duração de oito horas.



A terceira cirurgia ocorreu em 3 de agosto e se estendeu por oito horas. A quarta cirurgia aconteceu em 24 de agosto, quando os médicos implantaram expansores subcutâneos para dar elasticidade à pele e garantir que, na separação total de corpos houvesse tecido suficiente para cobrir os dois crânios.

A última cirurgia, inédita no Brasil, envolveu uma equipe multidisciplinar com 30 profissionais, incluindo quatro norte-americanos, entre eles o cirurgião James Goodrich, referência mundial no assunto e que acompanhou todas as etapas de separação das gêmeas.

A pediatra Maristella Francisco dos Reis já afirmou que as gêmeas têm desenvolvimento normal, como qualquer criança da idade delas, estão aprendendo a falar, brincam juntas e até ensaiam os primeiros passos.



 

Fonte: G1 Ribeirão Preto e Franca
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