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11 de Dezembro, 2018 - 08:05
Médium João de Deus é denunciado por abuso sexual por mais de 200 mulheres no MP

Ministério Público criou força-tarefa para investigar os casos. Uma vítima contou que foi estuprada oir João de Deus pelo menos dez vezes quando tinha apenas 11 anos. O Ministério Público criou uma força-tarefa pra investigar um dos médiuns mais famosos do Brasil por suspeita de abuso sexual. Os casos de violência foram revelados na sexta-feira passada (7), no programa "Conversa com Bial". E, desde então, mais de 200 mulheres afirmaram ao MP ter sofrido abuso sexual de João de Deus.



Uma das mulheres tem 45 anos de idade. Aos 19, quando trabalhava como modelo, foi até Abadiânia em busca de tratamento espiritual. “Assim que nós entramos, que ele estava muito longe de mim, que ele bateu o olho em mim, o olho dele petrificou. Ele parou. Ele não piscava. Na hora que eu passei, isso me incomodou. Mas na hora eu pensei: ‘Nossa, eu devo estar com alguma coisa bem grave, porque esse homem não tira o olho de mim. Que coisa boa’. Para mim aquilo era benção, né? Maravilha. Na hora que eu passei ele falou: 'ajoelha'. Meus avós quase bateram palma porque aquilo ali para todo mundo é um santo”, relembra.



A mulher conta detalhes do que aconteceu quando ficou sozinha com o médium numa sala: "A primeira coisa que ele fez foi me virar de costas para ele, e ele começou a pegar em mim. Eu falei: ‘Para que isso? Seu João, para que isso’? E ele falou: 'É a entidade que está aqui’. Eu falei: ‘Por que o senhor está me tocando’? Ele falou: ‘Eu preciso tirar tudo que está dentro de você e é tudo do mal. Fizeram um trabalho para você. Fica calma, você não quer ser curada?’”.



João Teixeira de Faria, mundialmente conhecido como João de Deus, tem 76 anos. Conta que é médium desde criança e, na adolescência, teria ajudado a curar a primeira pessoa. A casa Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia, onde ele faz os atendimentos e cirurgias espirituais, recebe até cinco mil pessoas por semana. Os primeiros casos vieram à tona no programa "Conversa com Bial", da última sexta-feira (7). “Eu e a repórter Camila Appel escutamos, individualmente, dez mulheres que se sentiram abusadas sexualmente pelo médium”, anunciou o apresentador.


A única vítima que aceitou mostrar o rosto foi a coreógrafa holandesa Zahira Lieneke Mous. “Ele abriu a calça e colocou minha mão no pênis dele. E ele começou a movimentar a minha mão em cima do pênis dele. E eu estava em choque”.



O programa gravou com dez mulheres e exibiu quatro entrevistas. “E aí ele ficou muito próximo, ele mandou eu colocar a mão para trás, isso ele já estava com o pênis dele para fora. Ele falou: ‘Põe a mão, isso é limpeza. Você precisa da minha energia, que só vem dessa maneira, para eu poder fazer a limpeza em você’”.



O jornal “O Globo”, na edição de sábado (8), também fez reportagens sobre o caso, com denúncias de outras mulheres. E o Fantástico deste domingo (9) conversou com novas vítimas; 25 mulheres quebraram o silêncio e contaram detalhes sobre os abusos. O programa levou ao ar cinco entrevistas. “Por que você demorou tanto tempo para contar esta história?", questionou a repórter a uma das mulheres. “Porque eu achei que ninguém iria acreditar em mim, porque ele é muito poderoso este homem”, justificou ela. Algumas dizem que sofreram abuso quando eram crianças ou adolescentes. Uma vítima conta que foi estuprada pelo menos dez vezes. Na época, tinha apenas 11 anos de idade. “Ele pediu para mim colocar a mão para trás e eu senti uma coisa estranha. Aí eu comecei a chorar. E falei assim: ‘O que que é isso’? Ele falou assim: ‘É o que vai te curar’. Aí ele veio para minha frente e fez o que fez comigo. Tudo o que você imaginar”. Hoje ela tem 41 anos, mas ainda lembra dos detalhes. “Eu falava com ele o tempo todo: ‘Eu quero a minha mãe. Tá doendo’. Ele só falava: ‘Fica quieta’”.


Depois que os casos foram exibidos na TV Globo, centenas de mulheres que também se sentiram abusadas sexualmente por João de Deus procuraram o Ministério Público e a Polícia Civil para contar o que aconteceu. O Ministério Público chegou até a montar uma força-tarefa em todo o país para ouvir as vítimas. Em São Paulo e em Minas Gerais, os primeiros depoimentos estão marcados para esta terça-feira (11).



Só o MP em São Paulo recebeu 230 denúncias. “É um número grande, mas é comum em casos desta natureza esse fenômeno acontecer. Uma mulher denuncia, a outra mulher se sente encorajada, ela se sente fortalecida, se identifica com aquela situação e elas vão começando a denunciar e a formar grupos de apoio e, esse número, a tendência é crescer”, disse a promotora de Justiça Gabriela Manssur. As vítimas podem procurar o Ministério Público ou a Polícia Civil do estado onde moram. Os depoimentos serão enviados para os promotores de Goiás, onde as investigações se concentram. “Nós queremos ser céleres. À medida que as vítimas forem aparecendo, se possível, no mesmo dia, nós vamos colher o depoimento. E é necessário que haja essa divulgação dessa força-tarefa para que as vítimas percam o temor. Eu gosto de frisar o sigilo desse depoimento será mantido, a vítima não será exposta e, se for necessário, nós providenciaremos segurança para elas”, disse Luciano Miranda, promotor de Justiça do estado. Na tarde de segunda-feira (10), a Diretoria-Geral da Polícia Civil em Goiás iniciou um levantamento minucioso em todas as delegacias do estado. Os investigadores vão checar todas as denúncias e inquéritos que existem contra João de Deus. "Nós temos, hoje, três inquéritos em andamento referente a essa situação. Nós temos inquérito de 2016 e temos inquéritos de agora, deste ano, que foi o momento que a Polícia Civil recebeu essas informações. Imediatamente foram instaurados", afirma André Fernandes, delegado-geral da Polícia Civil do estado. Na segunda (10), nós tentamos contato com a defesa de João de Deus, mas o advogado nao retornou as ligações. Ao Fantástico, ele afirmou que hoje o medium se apresentaria às autoridades em Abadiânia, o que não aconteceu. João de Deus nega as acusações.


"Muito enfaticamente, ele nega. Ele recebe com indignação a existência dessas declarações. Mas o que eu quero esclarecer, que me parece importante que se esclareça ao grande público, é que ele tem um trabalho de mais de 40 anos naquela comunidade, atendendo a todos os brasileiros, atendendo a gente de fora do país, sem nunca receber esse tipo de acusação. Eventualmente, atendeu alguma pessoa, alguma autoridade sozinho, isso é um episódio localizado. Mas pessoas, mulheres, crianças em geral, eram atendidas coletivamente, diante de um grande número de pessoas".




Só nesta segunda, a força-tarefa do Ministério Público de Goiás recebeu o contato de 40 mulheres que se apresentaram como vítimas de João de Deus. A maior parte por email. Todas vão ser ouvidas nos próximos dias.







 

Fonte: G1
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