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7 de Janeiro, 2022 - 13:19
'Morto com um tiro certeiro no coração', diz moradora sobre criança que morreu em Queimados; outras duas ficaram feridas

Mais de dez crianças estavam no grupo que ajudava na mudança de uma moradora do Morro da Torre, no bairro Inconfidência, em Queimados, na Baixada Fluminense, quando ocorreram disparos de arma de fogo. As balas atingiram Kevin Lucas dos Santos Silva, de 6 anos, que estava no quintal da casa, no tórax. Apesar do socorro, o menino não resistiu e morreu. Segundo moradores, não havia confronto ou operação policial na região no momento. Um grupo realiza um protesto na manhã desta sexta-feira pedindo por justiça. Maria Claudia da Silva Medeiros, que cuidava de Kevin, diz que os disparos foram feitos por policiais militares ao verem a movimentação no local.

— A gente estava no portão da minha vizinha ajudando porque ela está de mudança. Eu estava com minha filha de 3 anos, e meu filho de 8 anos. Todos estavam ajudando, pegando as coisas para colocar no caminhão. Não tinha bandido nenhum na favela. Tinha uma lona esticada porque teve um baile ontem (quinta). Viram a lona, a nossa movimentação e acharam que tinha bandido, mas eram crianças e moradores fazendo mudança — conta Maria Claudia, que era babá de Kevin e considerada avó de criação do menino.

Os tiros atingiram Kevin no tórax, Ludmila Teles, de 9 anos, na perna, e Gabriela Aristides, de 13 anos, na barriga. Os três foram levados inicialmente para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Queimados. Ludmila foi encaminhada para o Hospital estadual Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias, onde passou por cirurgia. Já Gabriela foi transferida para o Hospital Geral de Nova Iguaçu e foi operada. Ambas estão em estado estável no início desta tarde.

Na porta do Instituto Médico Legal (IML) de Nova Iguaçu, para onde foi levado o corpo de Kevin, a mãe do menino, Ana Claudia Santos, falou sobre a morte dele:

— Que dor. Isso dói muito. Um tiro fatal no coração do meu filho, um tiro certeiro — disse, enquanto chorava. — Esfria meu papá. A última palavra do meu filho.
— Os pais pegaram as crianças, e os PMs falaram para colocar na viatura (para o socorro). Não me deixaram entrar no carro, falaram para ir de moto. Ele parecia desmaiado, teve hemorragia interna, não sangrou, mas já estava morto com um tiro certeiro no coração. No hospital eu levantei o paninho, o tiro bem no mamilo direto — conta Maria Claudia. — Eles ficam colocando a culpa no bandido. Como uma criança vai fazer parte de um tráfico?

Por meio de nota, a PM disse que "de acordo com policiais militares do 24ºBPM (Queimados), eles estavam em patrulhamento na Estrada do Riachão, um dos acessos à comunidade da Torre, no bairro Inconfidência, em Queimados, quando foram atacados por criminosos da região. A equipe relatou que desembarcou da viatura, buscou abrigo e não efetuou disparos. Após cessarem os tiros, os agentes foram procurados por moradores dizendo que uma criança havia sido ferida na Rua Colombo". Já as outras duas vítimas teriam dado entrada na mesma unidade. A corporação ainda afirma que "está acompanhando e colaborando com as investigações da Polícia Civil, inclusive, deixando à disposição, de forma voluntária, as armas dos policiais militares que estiveram envolvidos na ocorrência".

— Os policiais vieram por cima, e não tinha a visão de quem estava embaixo da tenda, e os marginais ficam sempre ali sempre embaixo da tenda. Eles atiraram achando que eram os marginais. Quando eles viram que atingiram as crianças, eles se preocuparam, se desesperaram, tentaram prestar socorro da maneira deles. Só que depois eles viram que tinham feito o erro deles, vieram até pedir desculpas, mas a gente não vai aceitar a desculpa deles — disse o pai de Ludmila, Wilson, em entrevista ao "RJ TV", da TV Globo, nesta sexta.

Segundo Maria Claudia, as meninas que foram feridas estavam no portão da casa e Kevin no quintal. A comunidade não dispõe de área de lazer, como parque ou quadra, o que faz com que brinquem em casa ou na rua, diz. Durante os disparos, até mesmo um cachorro morreu baleado.

— O irmão do Kevin estava junto, no meio do grupo, e graças a Deus não foi atingido. Mas está sofrendo com a morte do irmão — diz a babá dos meninos. — Ele era um menino especial, carinhoso. A todo mundo ele quer abraçar, beijar e falar que ama.

— A Ludmila está sempre brincando, gravando vídeos, correndo na rua. Elas e a Gabriela, e outras meninas, estão sempre juntas. Agora as crianças estão sentidas, com medo, não podem escutar um barulho — conta Ana Beatriz Correa Vilela, tia de Ludmila. — Não foi troca de tiro se teve só três tiros. De onde veio o tiro? Foram três tiros. Um deles para acabar com a vida de uma criança.

O corpo de Kevin será enterrado nesta tarde, às 16, no Cemitério de Carlos Sampaio, em Austin, em Nova Iguaçu. Segundo o Fogo Cruzado, ele é a primeira criança morta por disparo de arma de fogo este ano.

O caso está a cargo da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF), e as investigações estão em andamento para esclarecer as circunstâncias da morte de Kevin Lucas e dos tiros que atingiram Ludmila e Gabriela. Segundo a delegacia, "a perícia foi realizada no local e familiares ouvidos. Os policiais militares que participaram da ação prestaram depoimento e as armas foram apreendidas".

Protesto de moradores
Um grupo de moradores do Morro da Torre, em Queimados, onde as crianças foram feridas, fazem protesto nesta sexta-feira. Desde as 9h, parentes e amigos das vítimas estão na Estrada do Riachão. Nos cartazes pedem por justiça e paz na região.

— A gente não aguenta mais sofrer essas covardias que eles vêm e sempre fazem. É entrar na casa de morador querendo esculachar. Agora foram essas crianças. Até quando? Até onde a gente vai parar? A gente não aguenta mais sofrer. A gente quer justiça. O governo vai ter que dar uma explicação para a gente — questionou a moradora Ana Beatriz Correa Vilela, tia de Ludmila.

O grupo conta principalmente com mulheres, mães de família, da comunidade. Elas querem esclarecimentos sobre o que aconteceu para as crianças serem atingidas pelos tiros. Segundo Ana Beatriz, as crianças brincam nas ruas da região, apesar de não ser um lugar tranquilo como era há décadas.

— Todos no protesto são moradores da comunidade. Somos nascidos e criados aqui, onde corríamos, brincávamos, soltávamos pipa. E as crianças não podem fazer nada disso hoje. O nosso dia a dia na comunidade é tranquilo, mas quando tem operação aqui é isso o que acontece — conta.

O protesto no local segue pacífico e destacou não ter envolvimento com o ônibus incendiado na Avenida dos Inconfidentes, em Queimados, no início desta manhã. O quartel do Corpo de Bombeiros da região foi acionado às 6h58m. Não houve vítimas.

Nesta sexta-feira, o TransÔnibus (Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Nova Iguaçu e outros oito municípios) divulgou uma nota de repúdio sobre os ônibus queimados ontem e hoje durante a manifestação feita por outro grupo de moradores. "Esses fatos são totalmente descabidos e injustos, pois, pela inexistência de seguro e do elevado custo dos ônibus, acabam por acarretar a impossibilidade de reposição e agrava, ainda mais, as dificuldades nos esforços das empresas para atenderem aos deslocamentos daqueles que mais precisam de transporte", diz trecho do comunicado.

Fonte: EXTRA
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